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Autocrítica faz mal?

A autocrítica é o ato de identificar qualidades e falhas, bem como identificar erros e acertos em diferentes contextos sociais. É fundamental identificar padrões comportamentais e de pensamento para eliminar os fatores que contribuem para o sofrimento.

Todos nós somos capazes de analisar racionalmente nossas ações e suas consequências, mas muitas vezes essa análise é influenciada pelas emoções.

Por exemplo, aqueles que sofreram vários ataques de autoestima devido ao bullying, familiares rígidos ou relacionamentos abusivos geralmente têm dificuldade em fazer uma autoavaliação neutra. Como sua autopercepção não é positiva, a pessoa naturalmente tende a ver suas próprias deficiências com maior rigor e maior frequência.

Para que a autocrítica sirva adequadamente ao seu propósito, deve haver maturidade emocional e não se deixar levar pelo pessimismo.

Excesso de autocrítica faz mal para a saúde

Em uma autoavaliação, os erros são simplesmente coisas que devem ser corrigidas e superadas. Na autocrítica, um erro se torna um sinal de fracasso e falha, e quando sentimos que falhamos, somos levados pela culpa.

Geralmente as pessoas confundem autoavaliação com autocrítica. A autoavaliação é essencial para uma vida e crescimento saudáveis. É necessário avaliar constantemente nossos erros e acertos para que possamos corrigir onde as coisas não estão indo bem. Mas muita autocrítica pode causar estragos na autoestima e invariavelmente leva à paralisia, sentimentos de inutilidade e doenças como depressão e ataques de pânico.

Em uma autoavaliação, os erros são simplesmente coisas que devem ser corrigidas e superadas. É como se tivéssemos feito um bolo e perdido o ponto: sabemos que da próxima vez devemos desligar o forno há alguns minutos antes, e é isso. Percebemos nosso erro e estamos preparados para não errar uma próxima vez.

Na autocrítica, os erros tornam-se a marca registrada do fracasso, e quando pensamos que falhamos, somos atraídos pela culpa. A culpa como a conhecemos é paralisante.

Realmente somos criticados por todos à nossa volta, desde: colegas de trabalho, amigos, chefes, namorados, parentes, conhecidos e até quem não nos conhece. Sempre haverá pessoas que apontem nossas falhas e/ou julguem nossos traços de caráter como se fossem falhas.

Então, por que seremos mais um neste círculo louco de críticas cotidianas?

A autocrítica pode ser útil?

A autocrítica pode ter seus usos. Ajuda-nos a reavaliar comportamentos, hábitos, opiniões e crenças que já não se adequam à nossa realidade.

Por exemplo, quando começamos um novo emprego, podemos recorrer à autocrítica para analisar quais comportamentos correspondem ou não à posição que estamos acostumados às convenções profissionais. Desta forma, podemos melhorar o desempenho e ter a oportunidade de desenvolver novas habilidades.

Outra situação é que cometemos erros. Para não repetir os mesmos erros, podemos refletir sobre nosso comportamento e encontrar melhores maneiras de lidar com a mesma situação no futuro.

Portanto, a autocrítica que não visa a perfeição é construtiva.

Promove o desenvolvimento pessoal pelo autoconhecimento e pela reflexão. A disposição de identificar falhas e padrões de comportamento inadequados e modificá-los para o bem-estar pessoal é extremamente valiosa.

No entanto, quando sua voz interior começa a se concentrar apenas em julgamentos altamente negativos, a autocrítica começa a ter o efeito oposto. Em vez de impulsionar seu crescimento pessoal, pode paralisá-lo.

Erros de análise podem facilmente se transformar em ataques pessoais. A autocrítica negativa pode fazer você se culpar ou se colocar para baixo. Portanto, é impossível aprender com essa situação.

Não caia na armadilha da autocrítica

A autocrítica negativa nos paralisa, porque nos confronta com nossas “sombras” chamadas defeitos, falhas e fracassos em vez de melhorá-los.

Pessoas excessivamente críticas usam aspectos de seu caráter que consideram inadequados para justificar crenças autodestrutivas. Sendo assim mais fácil de acreditar que não são merecedoras de coisas boas por ainda não se sentirem ‘perfeitas”.

Por exemplo, ele acredita: “Você não conseguiu esse emprego porque era muito ineficiente”, mas ele não tentou ser alguém que ele achava que merecia o emprego. Prefere cultivar a crença de que não basta lidar com cada novo erro, rejeição ou revés – uma situação de vida extremamente comum.

O excesso de autocrítica e seus malefícios.

A autocrítica excessiva pode fazer com que você deixe várias oportunidades passarem por você sem perceber. Isso porque, quando somos excessivamente autocríticos, nos sentimos incapazes de tomar decisões ajuizadas e despreparadas para os desafios que nos levam ao crescimento. Então acabamos “estacionando” em nossas vidas porque sempre nos sentimos inferiores.

A partir do momento em que você perceber a autocrítica excessiva em sua vida, perceba os efeitos que ela pode ter e comece a mudar as coisas.

Agora conheça os perigos dessa prática:

Complexo de inferioridade

Finalmente, sentimentos de inferioridade e dificuldade de se conectar com os outros também são resultado de autocrítica excessiva.

Como podemos cuidar disso? Primeiro, pare de se comparar. Lembre-se, todos têm tempo para desenvolver inteligência, habilidades, etc. Portanto, viva seu relacionamento de maneira leve e nunca se concentre no que há de “melhor” na outra pessoa. Afinal, ninguém é melhor que o outro, só que cada um tem um tempo diferente para se desenvolver e crescer.

• Medo excessivo

O medo do fracasso é outro mal cruel de autocrítica excessiva. Isso faz com que milhares de pessoas deixem de tomar decisões pensadas e sempre tentem evitar suas responsabilidades.

Como podemos cuidar disso? Antes de dizer “não” a uma decisão importante, só porque você tem medo de cometer um erro ao dizer “sim”, considere os verdadeiros pontos negativos e positivos da situação. Pense nas outras vezes em que você tomou decisões difíceis, não se baseie apenas em coisas “mais fáceis”. Dessa forma, busque construir sobre o que há de mais valioso e construtivo.

• Procrastinação

A procrastinação ocorre quando a autocrítica excessiva leva você a buscar um perfeccionismo que não existe. Afinal, você busca a perfeição, mas como ela nunca chega, pode acabar procrastinando no trabalho e nos estudos. Tenha cuidado com isso!

Como podemos cuidar disso? Comece a considerar a ideia de que nada é perfeito nesta vida. Nunca teve e nunca terá alguém ou algo perfeito. Então, comece a agir e não deixe o perfeccionismo “tomar a liderança”. Lembre-se, feito é melhor que perfeito.

• Autossabotagem

A autossabotagem é o ato de colocar automaticamente obstáculos em seu caminho, fazendo com que você perca oportunidades e chances em sua vida. Entre os tipos de autossabotagem, podemos citar a autocrítica excessiva.

Com a crítica exagerada, você começa a não tomar decisões importantes, a não ser deixar passar oportunidades porque não se sente pronto para algo.

Como lidar com isso? Comece a pensar nas oportunidades de uma forma mais racional. Antes de se negar a alguma coisa por se sentir “incapaz”, pense nas aptidões necessárias para essa determinada situação e analise até que ponto, de fato, você é ou não é capaz de executar.

Quando a autocrítica é importante?

Você tem o costume de se autocriticar? Diversas pessoas se beneficiam fazendo uma autoavaliação de seu próprio comportamento, enquanto outras usam a autocrítica de uma forma destrutiva. Mas como saber quando ela para de ser útil?

As pessoas geralmente não escolhem deliberadamente se criticar negativamente. Quando isso ocorre, elas realmente pensam que merecem tal crítica e julgamento.
O que os outros acham desagradável é o que eles veem como um fato indiscutível.

Os psicólogos encorajam a autocrítica e a autorreflexão. Essas dicas ajudam a remover elementos negativos da vida das pessoas, sejam eles relacionados à sua personalidade ou não. No entanto, essas ações devem ser motivadas por pontos positivos. Caso contrário, elas podem abrir caminho para a depressão e outras condições psicológicas.

Sendo autoconsciente

Para evitar cair nessa armadilha, você precisa decidir qual voz interior quer ouvir: autocrítica positiva ou negativa. A melhor forma de distingui-las envolve uma característica fundamental da inteligência emocional chamada autoconsciência.

Quando você toma consciência de seus hábitos, você pode fazer as mudanças necessárias para mudá-los. “De repente”, você percebe que tem alguns hábitos estranhos que interferem no seu bem-estar.

Além disso, a autoconsciência rompe com padrões irracionais de comportamento repetitivos, reproduzidos por autoindulgência ou por viver no piloto automático.

Se você não tem essa consciência, não vê o quão prejudicial é a autocrítica negativa. Você nem pensa que é negativo porque está muito acostumado a se criticar por qualquer coisa.

Depois de quebrar esse hábito, você pode optar por ouvir apenas sua voz interior positiva. Afinal, faz sentido se decepcionar quase todos os dias? Na verdade, o que você espera alcançar com essas autocríticas injustas?

A autoconsciência permite que você analise sua vida sem as fantasias pessimistas criadas pela autocrítica excessiva. Aos poucos, você começa a tomar melhores decisões e a refletir sobre sua personalidade tendo como único objetivo o crescimento pessoal.

Desenvolver a sua autoconsciência:

• Escolha quando a autocrítica é útil.

Como você pode ver, você pode analisar a si mesmo para adaptar seu comportamento à cultura de uma nova situação em sua vida ou melhorar suas habilidades para subir na carreira profissional. Nos dois casos, os resultados são positivos e podem ajudá-lo a se aproximar dos seus ideais.

Quando a autocrítica traz coisas boas para você, reflita sobre si mesmo. Quando a crítica o ajuda a amadurecer e quando é inconveniente?

Defina os melhores momentos para ouvir o seu crítico interno. Assim, você reduzirá a ocorrência de julgamentos desnecessários.

Escolha o melhor momento para ouvir a sua consciência crítica. Dessa forma, você pode reduzir o número de decisões desnecessárias.

• Analise as críticas que você deve escutar

Suas opiniões sobre eventos, pessoas e você nem sempre estão corretas. Se sua autoestima estiver baixa, é provável que sua autoavaliação seja preenchida com comentários pouco construtivos.

Você pode perguntar a pessoas de sua confiança o que elas pensam de você. Refletir sobre os elogios que recebeu ao longo da vida também pode ajudá-lo a mudar sua autoimagem.

Quando você passa a ouvir apenas a autocrítica negativa, isso provavelmente vai enfraquecer sua confiança e seu humor. Quando você decide se concentrar em sua voz interior para celebrar conquistas e reconhecer seus pontos fortes, isso aumenta sua autoestima. Como resultado, seus relacionamentos são mais saudáveis ​​e seu trabalho mais bem-sucedido.

Sempre que surgir a vontade de se autocriticar, pergunte a si mesmo: “O que eu quero ouvir?” Qual dessas críticas é realista e qual está perto de autossabotagem?

• Faça uma análise de cada tipo de autocrítica

Se você ainda tem dificuldade em quebrar o hábito da autocrítica negativa, tente analisar os resultados gerados de cada tipo de autocrítica. Para um olhar menos emocional durante este exercício, escreva as consequências de cada pensamento lado a lado para comparação. Essa dinâmica o ajudará a ver como você se vê afeta sua vida.

Pessoas que pensam que tudo o que estão fazendo é errado são mais propensas a ter experiências desagradáveis ​​ou perder oportunidades. Pessoas com alta autoestima têm mais histórias boas para contar. Qual você escolhe ser?

• Tenha compaixão por você

Possua compaixão por si mesmo, isso é essencial para combater a autocrítica negativa.

Todo mundo trabalha para ser uma versão mais feliz de si mesmo, mesmo que às vezes não pareça. Uma e outra vez elas cometem erros e falham. A diferença entre as pessoas bem-sucedidas é a determinação de continuar, não importa o quê.

Você deve reconhecer que você também é uma pessoa imperfeita e que pode aprender com seus fracassos para seguir em frente. Muitas pessoas vão tentar fazer você se sentir mal pelo resto de suas vidas.

Infelizmente, não podemos saber antecipadamente quem quer o nosso bem incondicional ou não, até que alguma oportunidade surja e possamos conferir verdadeiramente quem quer nosso bem. Não se junte as pessoas que não te apoiam nos momentos difíceis e que são críticas demais! Não se ataque sem motivo, ame-se do jeito que você é. Além de te deixar mais feliz, o amor próprio vai te ajudar a não se incomodar com as críticas dos outros.

E você tem o hábito de se criticar demais, ou conhece alguém assim?
Deixe seu comentário e compartilhe este artigo para ajudar mais pessoas a fazerem uma reflexão sobre o ato de se criticar demais!

 

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